Assessment é uma palavra do inglês que significa “avaliação”. Diferentemente das avaliações que estamos acostumados (como provas que ocorrem ao final de um período), um assessment é uma avaliação feita para apoiar o início de um programa de desenvolvimento. Descubra agora o que é assessment e como ele pode ajudar no seu dia a dia!

Quando alguém decide estudar inglês, por exemplo, uma das primeiras coisas que ela faz é um teste para descobrir seu nível de conhecimento da língua. A partir desse teste (que pode ser chamado de assessment ou avaliação), a coordenação da escola indica qual o módulo a ser cursado: inglês básico, intermediário ou avançado.

De modo simplificado, assessments ocorrem constantemente em nossas interações com pessoas, amigos ou profissionalmente. Quando você pergunta “como vai?” ou quando alguém analisa seu currículo, um assessment está em andamento.

Tipos de assessment

No caso dos testes de idiomas, claramente há respostas certas e erradas. Em inglês, a grafia correta da palavra pare é “stop”, não “stoop” ou “sttop.” Esse tipo de assessment – onde há respostas consideradas certas ou erradas – é chamado de teste. Nele, se encaixam vestibulares, o teste de QI e outras avaliações lógico-matemáticas.

Por outro lado, quando um assessment avalia preferências – e não respostas certas – ele é chamado de instrumento.

Uma avaliação vocacional onde um adolescente é questionado sobre se prefere fazer contas de cabeça ou assobiar uma música é chamada de instrumento. Sua resposta indica uma preferência, não algo a ser considerado certo ou errado. Seja um teste ou instrumento, os assessments estão presentes tanto na nossa vida pessoal quanto profissional.

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Assessment no ambiente corporativo

No ambiente corporativo, os assessments são muito comuns e ocorrem sem percebermos. Seja nas entrevistas de emprego ou em avaliações trimestrais de desempenho, as pessoas estão constantemente avaliando umas às outras.

Enquanto alguns assessments não tem tanto valor – perguntar “como alguém vai” é mais uma questão de educação e empatia – outros são bem mais importantes. Para dirigir um caminhão, um profissional é avaliado ao tirar sua carteira de motorista. Uma jovem advogada faz o exame da OAB para iniciar sua carreira, enquanto há discussões sobre se médicos também deveriam ter um exame para praticarem a medicina.

Embora sejam evidentes os benefícios de assessments no ambiente corporativo, geralmente essas avaliações não estão ligadas a atividade fim de grande parte dos profissionais. Por exemplo, não há assessments para profissionais de marketing, fisioterapeutas ou engenheiros. Também não há formatos estruturados para avaliar o quanto alguém fala bem em público, faz apresentações com qualidade ou é expert em análises de gráficos.

As avaliações que existem no ambiente corporativo geralmente são ligadas à poucos campos profissionais e às avaliações comportamentais.

Alguns setores, como o de investimentos financeiros, se organizaram para avaliar e certificar profissionais. Por meio do Certificate in Financial Planning (CFP), criou-se um padrão mundialmente reconhecido na área de finanças. O mesmo ocorre com profissionais de gestão de projetos, com o Project Management Professional (PMP).

Outra categoria de assessment utilizada no ambiente corporativo é o de avaliação comportamental, que possuem duas aplicações. Há a aplicação pré-contratação e a pós-contratação (em inglês, pre-employement e post-employment).

Os assessments pré-contratação, como o nome indica, são utilizados para avaliar características de profissionais que serão contratados. Uma equipe que precisa ser complementada por um profissional analítico pode fazer uso do instrumento MBTI, por exemplo, para identificar candidatos que tenham essa característica dominante.

Em aplicações pós-contratação, o próprio MBTI pode ser utilizado. Nesse caso, ao identificar características comportamentais de profissionais que já façam parte de uma equipe, ele serve como base para a criação de um programa de desenvolvimento.

Assessments para aconselhamento de carreira

Enquanto cursava mestrado nos EUA, tive a oportunidade de cursar uma disciplina chamada “Dinâmicas do Desenvolvimento Vocacional”, na faculdade de psicologia da New York University. Ao analisar diversos assessments, ficou evidente a importância de instrumentos estruturados e validados para apoiar o desenvolvimento vocacional de profissionais, independente de sua idade, setor ou fase profissional (pré-contratação ou pós-contratação).

Durante minha capacitação, aprendi que o foco dos assessments utilizados para o desenvolvimento profissional são funcionários de empresas (pessoas que serão contratadas por outras). Ou seja, o público alvo dos assessments até então não são empreendedores ou profissionais que querem abrir um negócio, mas seus atuais e futuros funcionários.

Esse foi um dos motivos que levou à criação do QEMP – Quociente Empreendedor , o único assessment com foco em consultoria, coaching e mentoria baseado nas áreas do empreendedorismo, educação e comportamento humano.

Assim como os assessments tradicionais, é necessário uma capacitação para aplicação e devolutiva do QEMP, feita por meio da Certificação na Metodologia .

Por outro lado, diferentemente do padrão do mercado, o QEMP é contextual, seu resultado varia de acordo com o negócio que o empreendedor está abrindo ou planeja abrir. Por exemplo, enquanto o teste de QI é estático, o QEMP muda conforme o profissional aprende sobre seu setor ou desenvolve habilidades de controle e planejamento.

Recentemente escrevi um artigo comparando o QI, QEMP e a teoria das múltiplas inteligências. Convido você a ler e refletir sobre um dos assessments mais antigos da história (o QI), criado no início do século XX. Você conhecerá a avó das avaliações como conhecemos hoje.

 


Thiago de Carvalho
Country Manager, Clinton Education
Director, Clinton Center for Teaching and Learning

Referência: Richard S. Sharf, Applying career development theory to counseling, 6th edition;